sábado, 15 de junho de 2013

demarcações de terras indígenas

A NATUREZA TE AMA

A NATUREZA É FIEL

As manifestações dos proprietários rurais têm o objetivo de deter o processo de demarcação de 81 áreas no país (30 terras delimitadas e 51 declaradas), que somam cerca de 4,7 milhões de hectares.
O Brasil possui hoje 476 terras indígenas --incluindo aí as terras regularizadas, as homologadas e as reservas-- num total de 105,1 milhões de hectares (quase um oitavo do território brasileiro). Essas terras correspondem a 42% das áreas usadas pela agropecuária (251 milhões de hectares, dos quais 172 milhões ocupados pela pecuária e 79 milhões pela agricultura).
A crescente resistência dos proprietários rurais à demarcação das áreas indígenas é uma das razões da diminuição do ritmo de regularização dessas terras --determinada pela Constituição de 1988.
No governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) foram homologadas 145 áreas (41 milhões de hectares); no governo Lula (2003-2010), o total de áreas cai para 84 (18 milhões de hectares); por fim, na gestão Dilma Rousseff, foram homologadas apenas dez áreas (966 mil hectares).
O Brasil tem, segundo o IBGE, 817,9 mil pessoas que se declaram índios por sua cor ou raça. A distribuição das terras é muito desigual.
Arte Folha
Entenda como é a demarcação das terras dos índios e os conflitos com os proprietários

privilegiado aos dados digitais do mundo inteiro"

Ao revelar que o governo dos EUA mantém um programa de vigilância virtual, o técnico Edward Snowden, ex-funcionário da consultoria Booz Allen, abalou a reputação do presidente americano, Barack Obama, e de grandes companhias digitais daquele país

Por Diego MARCEL

Ao revelar que o governo dos EUA mantém um programa de vigilância virtual, o técnico Edward Snowden, ex-funcionário da consultoria Booz Allen, abalou a reputação do presidente americano, Barack Obama, e de grandes companhias digitais daquele país, como Apple, Google, Facebook e Microsoft. Além disso, deixou clientes corporativos e consumidores do mundo inteiro preocupados com a violação de suas informações. A denúncia de Snowden alerta para o perigo de poucas corporações – e todas de um mesmo país – controlarem boa parte do tráfego mundial de internet, segundo o finlandês Mikko Hyppönen, diretor da empresa finlandesa de segurança digital F-Secure, que faturou € 157 milhões em 2012 e atua em 20 países. “Os EUA abusam do acesso privilegiado aos dados digitais do mundo inteiro”, afirma. “Há uma fenda entre esse país e o restante do planeta.” Nesta entrevista à DINHEIRO, Hyppönen, que já prestou consultoria sobre segurança virtual para o Exército americano, também analisa a guerra virtual entre países e o grau de vulnerabilidade das companhias que usam computação em nuvem. Para ele, um dos problemas atuais é a ausência de uma legislação internacional para os delitos cibernéticos.

DINHEIRO – Edward Snowden, ex-funcionário da consultoria Booz Allen, denunciou que o governo dos EUA espiona dados de usuários de grandes empresas de internet, como Google, Facebook, Microsoft e Apple. Como fica a imagem dessas companhias digitais a partir de agora? 
MIKKO HYPPÖNEN – Isso prejudica a imagem delas. É por isso que todas negaram ter colaborado com o governo nesse episódio.
 
DINHEIRO – Mas informações e dados de clientes corporativos e consumidores do mundo inteiro estão nos servidores dessas empresas. 
HYPPÖNEN – Realmente não sabemos o que a inteligência dos EUA está fazendo com as informações coletadas. O objetivo alegado é encontrar terroristas. Sabemos, no entanto, que eles estão interceptando o tráfego de internet, principalmente o que envolve um número incontável de empresas estrangeiras. E sabemos também que, em outras ocasiões, as agências de inteligência repassaram dados roubados para as empresas locais, a fim de ajudá-las nos negócios. Há uma fenda entre os EUA e o restante do planeta. O país abusa do acesso privilegiado aos dados digitais do mundo inteiro. Os americanos parecem não ter qualquer problema com a vigilância generalizada de usuários inocentes, desde que essa vigilância seja feita em cima de estrangeiros. O problema, claro, é que nós, estrangeiros, constituímos a quase totalidade da população do planeta. Em um Estado de vigilância, todo mundo é considerado culpado.
 
DINHEIRO – Por falar nisso, antes mesmo da notícia da espionagem patrocinada pelo governo americano, já havia quem considerasse um risco à privacidade o fato de empresas como o Google e o Facebook, pela audiência que possuem e pelo tipo de serviço prestado, terem acesso a informações de bilhões de pessoas. 
HYPPÖNEN – Aparentemente ainda deve haver pessoas que não veem problemas nisso. Acreditam ser perfeitamente aceitável que toda a informação dos brasileiros esteja nas mãos de uma ou duas empresas americanas. Empresas como o Facebook e o Google sabem mais sobre nós do que os governos. Ainda assim, muitos não se importam. Parece que é o jeito como as coisas devem acontecer. Eu não tenho perfil no Facebook. O Google, por sua vez, é um site muito difícil de evitar.
 
DINHEIRO – De onde partem os ataques virtuais a governos e empresas? 
HYPPÖNEN – A maior parte dos ataques criminosos vem da Rússia, Ucrânia, Belarus, Estônia, Romênia e Lituânia. Há também muitas ações vindas da China e da América do Sul. Essas gangues são realmente virtuais – seus membros não se comunicam no mundo real, não se conhecem pessoalmente e não confiam uns nos outros. Eles apenas se juntam e trabalham em prol do benefício próprio. É diferente do crime organizado.
 
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O amplo acesso a informações pessoais de usuários por empresas
de internet é um tema polêmico
 
DINHEIRO – Muitas empresas têm receio de usar a computação em nuvem, cujos dados ficam armazenados na internet. Esse sistema é seguro? 
HYPPÖNEN – Sistemas baseados em nuvem têm duas questões a serem observadas: a primeira é a segurança técnica e a outra é a privacidade. Quando uma informação vai para a nuvem, ela não é mais sua. Você precisa acreditar cegamente no seu provedor. Um exemplo: quando uma empresa deleta um arquivo, que garantias ela tem de que o provedor realmente apagou essa informação? Ele pode apenas estar retirando a informação do sistema do cliente e continuar com os dados guardados em seus servidores. O cliente nunca vai saber. Isso, porém, é relativo e tem a ver com a privacidade. No que se refere à segurança, muitas vezes a nuvem pode representar uma proteção muito maior do que aquela que a empresa teria, caso usasse um servidor próprio. 
 
DINHEIRO – Muitos especialistas acreditam que estejamos vivendo uma guerra virtual entre países, com ataques e espionagem pela internet. Quais os riscos que as companhias privadas correm diante desse cenário? 
HYPPÖNEN – Os ataques virtuais a países são de dois tipos. O primeiro é para roubar informação, é espionagem. O outro é para prejudicar empresas de serviços essenciais ou estratégicos, como as dos setores de energia, comunicação, água e alimentação. Muitos países já perceberam isso.
 
DINHEIRO – Os tablets e os smartphones já são alvos dos hackers?
HYPPÖNEN – Em aparelhos móveis, o maior alvo são os dispositivos com o sistema operacional Android, do Google. Em Windows Phone Blackberry e iOs, o número de ataque é nulo. No Android, o maior risco são os aplicativos falsos. Você baixa um software que é igual ao oficial, mas na verdade é um vírus. Hoje, os principais alvos são usuários de dispositivos móveis na Rússia e na China.
 
DINHEIRO – É possível concluir, então, que os brasileiros estão mais seguros nesse aspecto?
HYPPÖNEN – No Brasil, há alguns ataques a equipamentos móveis, mas em menor número. Mas o curioso é que o primeiro vírus para celulares, ainda no sistema Symbian, da Nokia, foi escrito por um hacker chamado Lasco, que é brasileiro.
 

domingo, 2 de junho de 2013

O fotógrafo amador


Com uma câmera fotográfica de US$ 800, o americano Jon Oringer criou a Shutterstock, um banco de imagens que vale mais de US$ 1,5 bilhão. Agora, ele quer concorrer com a consagrada Getty Images

O número de máquinas fotográficas digitais superou o de analógicas, em 2003, nos Estados Unidos. Mais do que uma mudança no mercado, para o empresário americano Jon Oringer, essa tendência representava uma oportunidade. Na época, ele estava envolvido com a criação de start-ups na área de internet. Uma de suas maiores dificuldades era encontrar imagens que pudessem ser utilizadas nos sites das empresas. Mesmo que a foto desejada estivesse disponível nas agências, geralmente havia muitas limitações para a utilização e o preço era proibitivo. Por causa disso, Oringer, fotógrafo nas horas vagas, decidiu pegar sua câmera Canon Digital Rebel, pela qual pagara US$ 800, e sair clicando a cidade de Nova York. 
 
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Foco regional: Oringer quer aumentar o conteúdo nos principais países
consumidores, como o Brasil; foto abaixo, o IPO da Shutterstock
 
Em seis meses, ele produziu por volta de 100 mil fotos. Apenas 30% desse material foi colocado em um site no qual, por meio de uma assinatura mensal, qualquer pessoa poderia baixar as imagens e usá-las livremente. Foi assim que, há dez anos, nasceu a Shutterstock, um dos maiores bancos de imagens do mundo, com mais de 18 milhões de fotografias, 40 mil fotógrafos, designers e ilustradores. “Somos uma empresa coletiva, colaborativa, por isso crescemos tão rápido”, afirmou Oringer, em entrevista à DINHEIRO. “Quanto mais imagens temos para oferecer, mais dinheiro ganhamos.” A aposta tem dado certo. Em outubro do ano passado, Oringer abriu o capital da Shutterstock na Bolsa de Nova York, captando US$ 76,5 milhões. 
 
As ações valorizaram-se 27% em seu primeiro dia de negociação. Hoje, elas valem por volta de US$ 50, um crescimento de mais de 100% desde o IPO. Com isso, o valor de mercado da companhia está em torno de US$ 1,5 bilhão. Oringer, no entanto, tem planos ainda mais ambiciosos para a companhia sediada em Nova York. Ele está lançando um novo banco de imagens batizado de Offset. A ideia é oferecer fotos de profissionais de renome. Trata-se de uma mudança no perfil da empresa, que sempre apostou nas fotos feitas por fotógrafos iniciantes ou mesmo amadores, que aceitam cobrar preços mais em conta por suas imagens – as fotos mais baratas disponíveis no acervo da agência saem por apenas US$ 2. 
 
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“O Offset terá menor volume, mas era uma demanda de mercado”, diz Oringer. O modelo de usar apenas fotógrafos gabaritados é o mesmo adotado pela americana Getty Images, uma das maiores agências de fotos do mercado. “As maiores agências estão entrando no segmento de fotos baratas, o que fez a Shutterstock reagir oferecendo serviços de maior valor agregado”, afirma Murilo Orefice, professor de criação da Universidade Anhembi Morumbi. “O modelo colaborativo e de baixo custo foi muito bem-sucedido, mas é preciso diversificar para não acabar sendo engolido pela concorrência.” 
 
Além de sofisticar seus serviços, Oringer também pretende aumentar o número de profissionais que colaboram com a agência. Para isso, os planos são de regionalizar a atuação da companhia, que está presente em 150 países. A Shutterstock, que já oferece busca e atendimento em português, deve abrir um escritório no Brasil nos próximos meses. “Hoje, temos centenas de colaboradores no País, mas queremos milhares”, diz o empresário. Qualquer pessoa com uma máquina ou celular pode fazer uma foto ou vídeo e vender através do banco de imagem. Há, porém, uma seleção rigorosa.
 
Apenas 20% das fotos, vetores e ilustrações que a Shutterstock recebe são aprovadas. “As imagens que temos do Brasil geralmente se referem ao Rio de Janeiro e outros cartões-postais”, afirma Oringer. “Precisamos de mais variedade.” Outra novidade que está sendo introduzida por Oringer é uma ferramenta de busca de imagens por cor, uma antiga demanda dos profissionais de design. Desenvolver novas ferramentas de busca, aliás, é um trabalho que Oringer gosta de fazer pessoalmente. “É ótimo quando se trabalha com criatividade.Nunca fica chato”, afirma. Em um cenário no qual qualquer pessoa com um celular pode registrar sua vida em fotografias, usar a criatividade parece ser realmente um bom negócio. 
 
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